1. Foram várias as ocasiões em que foram os músicos os motivos centrais de capa da revista Time. A lista é esta: Louis Armstrong (1949), Dave Brubeck (1954), Frank Sinatra (1955), Duke Ellington (1956), Thelonious Monk (1964), The Band (1970, sob o título "o novo som do country rock"), James Taylor (1971, "o novo rock: agridoce e baixo"), Merle Haggard (1974, "canções de amor, lealdade e dúvida"), Joni Mitchell (1974, "mulheres no rock: canções de orgulho e paixão"), Elton John (1975, "o Capitão Fantástico do rock"), Bruce Springsteen (1975, "a nova sensação do rock"), Paul McCartney (1976, "McCartney regressa"), The Who (1979, "o rock para lá dos limites"), John Lennon (1980, "quando a música morreu"), David Bowie (1983, "dançando a música"), Michael Jackson (1984, "porque ele é um terror"), Madonna (1985, "porque ela é tão quente"), David Byrne (1986, "o homem da renascença do rock"), U2 (1987, "o bilhete de rock mais valioso"), Garth Brooks (1992, "o grande boom do country"), Pearl Jam (1993, "toda a fúria"), Jewel (1997), Frank Sinatra (1998, "1915-1998"), Bruce Springsteen (2002, "Reborn in the USA") e Johnny Cash (2003, "1932-2003").
Frank Sinatra e Bruce Springsteen são dois repetentes em capas da Time.
2. 'Billie Jean' foi o primeiro vídeo de um artista negro a passar na MTV. Inicialmente, o canal de televisão não queria passar música de artistas negros.
Michael Jackson nasceu para o estrelato. Revelou desde tenra idade o seu talento, ao cantar nos Jackson's Five. Nos trinta anos seguintes, o cantor atingiu um impressionante sucesso, tanto a nível comercial como a nível de crítica, sendo venerado como um verdadeiro génio da música. Mas a verdade é que, de certa forma, o "Rei da Pop", foi uma vítima de todo o seu sucesso inicial. Os milhões de cópias vendidas dos seus mais recentes discos, não deixam de parecer um fiasco quando comparados com os do início de carreira. Mesmo para os inúmeros fãs do cantor norte-americano, nada que este faça agora, pode ultrapassar o que já fez no passado.
Michael, sétimo filho, entre nove irmãos, nasceu em Gary, Indiana, e foi lançado, logo aos cinco anos, no mundo do espectáculo, quando o seu pai decidiu pôr de pé um grupo musical chamado Jackson's Five que, além de si, incluía quatro dos seus irmãos mais velhos. Inicialmente, era apresentado como uma novidade, mas rapidamente se tornou óbvio o seu talento: a sua voz possuía já a maturidade dos restantes irmãos e a sua presença em palco cativava o público pelo seu carisma e à-vontade. O grupo passou rapidamente dos concursos de talento locais para a editora Motown. Conseguiram seis top-five na tabela de singles, entre 1969 e 1971, continuando, ao longo dos anos 70 como uma verdadeira máquina de fazer hits.
Como se a pressão de estar numa banda de grande sucesso não fosse suficiente para o jovem Jackson, este decide seguir uma carreira a solo. O cantor atacava agora em duas frentes: gravando sozinho e com os seus irmãos pela Motown que, em 1976, troca pela Epic. Em 1978, participa num filme com Diana Ross e conhece o produtor Quincy Jones que, com ele, colabora no seu primeiro disco a solo, "Off The Wall", de 1979. Um álbum que transformou a criança prodígio numa certeza da música pop e que vendeu 10 milhões de cópias. Parecia então impossível ao músico superar-se a si mesmo, mas foi exactamente o que fez, em 1982, quando editou novo álbum, "Thriller". Mais uma vez produzido por Jones, o álbum vende mais de 40 milhões de cópias (mais do que qualquer outro até aos dias de hoje) sendo aclamado pela crítica e na cerimónia dos Prémios Grammys desse ano. "Thriller" revela-se um sucesso estrondoso, não só pela música, mas também pela brilhante produção dos seus telediscos (especialmente do single que dá nome ao álbum), que iam ganhando, cada vez mais proeminência, graças ao aparecimento da MTV.
Apesar dos seus álbum seguintes, "Bad" de 1987, e "Dangerous" de 1991, chegarem ao topo das tabelas e venderem milhões, de alguma forma o entusiasmo tinha esmorecido. A onda favorável do público parecia ter-se virado contra si. Na altura da saída do vídeo de "Black And White" (retirado de "Dangerous"), as pessoas rejeitaram a carga supostamente violenta do clip, em que o cantor rasga a sua roupa e parte um carro com um martelo. O seulook também se alterou radicalmente, tornando-se, cada vez mais, "branco", graças a operações plásticas e a muita maquilhagem. Assim, a excentricidade até então tolerada, passou a ser encarada com muita estranheza à medida que histórias sobre os seus hábitos e predilecções invulgares (a mais falada foi o facto de conviver quase exclusivamente com crianças) se tornam públicas. Em 1993, um jovem de treze anos acusa-o de assédio sexual, o que Michael sempre negou peremptoriamente. Depois disso, cancela a sua digressão, perde o contrato publicitário com a Pepsi e sua reputação sofre um grave abalo. O cantor negociou com a família do rapaz para que esta retirasse a queixa, o que veio a acontecer, em 1994. Em Maio, casa com Lisa Marie Presley (filha de Elvis). Seguidamente, lança um ambicioso álbum duplo com sucessos passados e novas canções, intitulado "HIStory", editado em 1995. O disco recebe críticas díspares e as vendas são decepcionantes, para as altas expectativas do músico. Ao fim de dezoito meses, põe fim ao casamento com Lisa e, em 1996, anuncia que uma amiga sua, Deborah Rowe, está grávida de um filho seu. Correm imediatamente rumores que Jackson "alugou" a barriga de Deborah e que esta tinha sido inseminada artificialmente. Para provar o contrário resolvem casar. Três meses depois nasce Prince Michael Jackson Junior. E, em 1998, têm uma filha, Paris Michael Katherine.
"Blood On The Dance Floor", de 1997, continuou a sugerir que o "Rei da Pop" estava ainda preso aos seus dias de glória dos anos 80. Em 2001, regressou às edições discográficas com mais um álbum de originais, intitulado "Invencible".
Desde então o bloqueio criativo a par das crescentes polémicas em torno das acusações de pedofilia envolvendo o artista e o seu rancho "Neverland", na Califórnia, saldaram-se no lançamento de sucessivas colectâneas, contendo os sucessos de carreira. Em 2001 "HIStory" foi editado em formato de CD único, em 2003 o artista lançou a colectânea "No. 1s", seguida de "The Ultimate Collection" (2004) e "The Essential Michael Jackson" (2005).
No ano de 2005, o "Rei da Pop" enfrenta a ameaça de encerramento do seu rancho, por dívidas acumuladas e falta de pagamento de salários aos seus trabalhadores, a par de novas acusações de abuso sexual. Para fugir à pressão mediática, Jackson aceita o convite da família real do Bahrein e muda-se para o Médio Oriente.
Um ano depois lança nova compilação "Visionary - The Video Singles", uma edição em DVD e CD com 20 temas distribuídos em discos individuais, todos eles com o respectivo vídeo e áudio.
Na imprensa começa-se a falar do regresso de Michael Jackson à cena musical. Notícias sobre a composição de novo material e colaborações com artistas entretanto firmados no panorama do pop e do hip-hop e r'n'b, como Justin Timberlake e 50 Cent, surgem frequentemente na imprensa mas acabam por não se confirmar, reforçando apenas a decadência artística em que Jackson se encontra.
O aguardado regresso aos palcos, ainda em 2006, na cerimónia dos britânicos World Music Awards revela-se uma desilusão, sendo preciso esperar até 2008 para assistir ao início do ressurgimento musical através da reedição do mítico "Thriller", onde Jackson conta com várias colaborações especiais.
A nova versão daquele que é o álbum mais mais vendido de todos os tempos traz as participações de Kanye West , Akon e will.i.am. O músico dos Black Eyed Peas divide a prestação na reinterpretação do tema 'The Girl is Mine', originalmente cantado com Paul McCartney. O disco inclui ainda um inédito que ficou de fora do alinhamento original de 1982, chamado 'For All Time' e um DVD, com os videoclips de 'Beat It', 'Billie Jean' e o famoso teledisco de 'Thriller'.
Em Março de 2009, Michael Jackson anunciava que iria regressar aos palcos para uma série de dez concertos em Londres. O número de espectáculos subiu rapidamente para os 50, todos esgotados e todos na O2 Arena, entre Julho de 2009 e Março do ano seguinte. A poucos dias de iniciar esse regresso aos palcos, Jackson morreu a 25 de Junho de 2009, em Los Angeles, vítima de paragem cardíaca. Tinha 50 anos.